Purple Butterfly, nome pelo qual é conhecida no seu blog mamoplastia de aumento, decidiu recorrer à cirurgia plástica para melhorar a sua imagem e, consequentemente, a sua auto-estima. Resolveu partilhar todas as informações sobre o assunto com outras mulheres que desejavam fazer mamoplastia de aumento num blog, contribuindo também para a acessibilidade de informação em relação a este tema.
Eu descobri este blog há uns dias e desde logo achei muito interessante a quantidade de depoimentos de mulheres que passavam ou tinham passado pelo mesmo procedimento.
Como também eu quero contribuir para a proliferação das informações necessárias sobre este assunto em Portugal, contribuir também para que a cirurgia plástica deixe de ser um tabu, pedi a Purple Butterfly que respondesse a umas perguntas de todo o interesse para quem esteja a ponderar ou até mesmo para quem já tenha decidido fazer cirurgia plástica, no caso, mamoplastia de aumento. Ela mostrou-se prontamente disponível e deu a entrevista aqui para o blog.

Cláudia: Suponho que tudo isto começou com uma insatisfação em relação ao peito. Como é que surgiu essa insatisfação?
Purple Butterfly: Sempre me senti ‘incompleta’. Considero-me uma mulher bonita e atraente, tive vários namorados e nunca foi um problema sério, no entanto desde a adolescência que sentia que faltava algo para ser verdadeiramente uma mulher.
C: Quando é que começaste a pensar em cirurgia plástica?
PB: Quando o meu corpo se desenvolveu e ganhei formas, tornei-me mulher mas o peito não acompanhou o resto! Tenho um corpo de Portuguesa, ou seja, coxa e rabo bem torneadinhos e faltava o resto… em cima era quase uma tábua!
Até começar a trabalhar não tinha hipótese de pagar uma cirurgia estética, mas quando comecei a ter algum dinheiro decidi que já nada me impedia de realizar o meu sonho.
C: Que meios usaste para recolher a informação necessária para a cirurgia?
PB: Pesquisei muito na internet e falei com amigas e conhecidas que já tinham feito. Depois fiz muitas perguntas ao cirurgião.
Infelizmente na internet não havia muita informação, a não ser das clinicas que realizam a cirurgia… por isso decidi criar o blog para que a minha experiencia pudesse ajudar outras mulheres na mesma situação.
C: Houve receio de fazer a cirurgia ou sempre estiveste decidida a fazê-la?
PB: Tive receios, claro. Apesar de ser algo muito comum nos dias de hoje não deixa de ser uma cirurgia.
Tinha medo da anestesia e muito medo que o peito não ficasse bem… porque eu tinha um peito pequenino mas perfeitinho. E tinha muito receio de ‘estragar’ o pouco que tinha!
C: Tiveste apoio de amigos ou família? Alguém se opôs?
PB: Ninguém se opôs. O meu marido sempre disse que não precisava de nada, que estava óptima assim, mas ainda assim, decidi avançar. Por mim. Felizmente ele não se opôs e deu-me todo o apoio, já que era algo que me deixaria mais feliz.
Em relação aos meus pais, achava que a minha mãe se ia ‘passar’ com a ideia de uma cirurgia por algo que não me fazia falta, como ela dizia. Mas não. Expliquei-lhes a importância que tinha para mim, como mulher, fazer a cirurgia e eles deram-me muito apoio
Em relação às outras pessoas, apenas contei aos amigos mais próximos e todos me apoiaram.
Quem gosta realmente de nós compreende e apoia. Caso contrário, ou têm dor de cotovelo, ou são ignorantes! E essas opiniões não interessam
C: Como foi dar o primeiro passo para a cirurgia? Foi fácil escolher o médico, procuraste a opinião de vários cirurgiões para decidir?
PB: Quando decidi que tinha chegado a hora de avançar falei com amigos da área de saúde para que me recomendassem cirurgiões plásticos de confiança e fui a consultas a 3 médicos diferentes. Fiz perguntas, esclareci dúvidas e optei por um, que me transmitiu mais confiança.
C: Que técnica tu ou o teu cirurgião optaram para a mamoplastia de aumento?
PB: Foi opção do cirurgião. A incisão foi na axila e a prótese colocada por baixo do músculo. Segundo ele e segundo pesquisas que fiz na altura é o método que resulta num resultado mais natural para o peito, sendo o que menos interfere com o peito em si, ao nível das glândulas mamárias e da sensibilidade do peito. É praticamente imperceptível ao toque porque a prótese está debaixo da mama e do músculo. Por outro lado, a cicatriz fica numa das ruguinhas da axila, numa zona que não apanha sol, ou seja, quase que desaparece ao fim de poucos meses! Não estou com isto a dizer que é a melhor técnica para mamoplastias de aumento. É uma técnica complexa e mais demorada e nem todos os cirurgiões a realizam. Além disso, também tem inconvenientes, p.ex. não pode ser aplicada em mulheres muito musculadas no peito.
C: Quando é que fizeste a cirurgia? Que idade tinhas?
PB: Foi há dois anos, tinha 29 anos. Arrependo-me de não ter feito há mais anos…
C: Com que cirurgião/clínica? Por que tamanho optaste?
PB: Dr. Santa Comba/ Ordem da Trindade, no Porto
Optamos por 250cc. Fiquei com um peito não muito grande, que fica discreto com uma blusa ou camisola, mas bonito e atraente num bikini ou top decotado. O tamanho ficou perfeito porque eu sempre achei mais bonito um peito médio e não muito grande. Além disso, muito grande acaba por cair… a gravidade não deixa de existir após a mamoplastia!
C: Quando custou ao todo este processo?
PB: No meu caso não chegou aos 5.000Eur. Mas não podem ter este valor como ‘o valor’ de uma mamoplastia. Cada caso é um caso e os métodos usados influência o preço, o tipo de prótese também, etc… O valor pode ser menor ou maior em função de muitos factores.
C: Normalmente, o que assusta mais as mulheres que querem recorrer à cirurgia plástica é o pós-operatório. Como foi contigo? Muitas dores? Quais foram as principais dificuldades depois da cirurgia e quanto tempo levou para voltares à tua vida normal, sem restrição de certas actividades?
PB: Tive algumas dores nos primeiros 3 dias. Não me conseguia levantar sozinha da cama, custava-me a andar e mal podia mexer os braços. O facto de ser por baixo do músculo implica que todo o músculo é ‘descolado’ das costelas e este tem de se adaptar às novas condições: uma prótese por baixo dele.
Mas a recuperação foi rápida. Nos primeiros dias tomava analgésicos que ajudavam imenso a aliviar as dores. Ao fim de uma semana fui trabalhar com alguns cuidados mas sem grandes restrições e sem dores. Só não podia conduzir. Peguei no carro 15 dias depois. Retomei a minha vida normal ao fim de um mês, incluíndo o ginásio, mas comecei apenas com exercícios de pernas…
Segui à risca todas as recomendações do meu médico. Estragar as minhas mamocas ‘novas’, que tanto desejei, por abusar ou exagerar era algo impensável para mim.
C: Quanto tempo até veres o resultado final da cirurgia?
PB: Nos primeiros dias estavam inchadas e duras, mas ao fim de um mês já estavam no volume e aspecto/resultado final. Apenas um pouco rijas.
Fiz massagens de drenagem linfática que ajudaram imenso na recuperação… ficavam ‘moles’ e naturais na hora.
No meu caso, senti o peito completamente normalizado e adaptado ao seu aspecto final ao fim de 6 meses.
C: Ficaste satisfeita com o resultado?
PB: Sim, muito.
Passei a sentir-me completa, mais mulher. A minha auto-estima aumentou bastante.
C: Como é que descreves, em poucas palavras, toda esta experiência desde as primeiras consultas até finalmente realizares este desejo?
PB: Foi muito rápido e correu tudo muito bem. Quando decidi que era para avançar, demorou uns 2 meses até realizar a cirurgia.
Ou seja, em poucos meses passou tudo e já tinha o peito com que sempre sonhei.
C: Voltarias a fazer tudo o que fizeste para realizar este desejo?
PB: Sim, sem dúvida alguma.
C: Houve uma grande mudança na tua vida ou em ti depois da cirurgia? Qual é a melhor parte de tudo isto?
PB: Não mudou nada na minha vida a não ser eu própria e o facto de me sentir mais feliz com o meu corpo.
Adorei deitar fora os soutiens que tinha e comprar tudo novo, num tamanho normal!!
C: Qual a sensação de finalmente ter o peito que tanto desejavas?
PB: É uma sensação fantástica poder finalmente vestir vestidos decotados ou cai-cai, bikinis, top’s, etc….
Sinto-me mais confiante tanto no dia-a-dia, como a nível íntimo, com o meu marido. Ele sempre disse que não era importante, mas para mim faltava algo. Sempre que me tocava eu achava que faltava ter peito e sentia-me algo retraída com isso…
C: Achas que a cirurgia plástica ainda é um tabu no nosso país ou já está a ser aceite?
PB: Ainda é um tabu. Felizmente, e porque já há muita gente a ter a coragem de avançar, está a tornar-se mais vulgar e logo mais aceite.
Mas ainda é comum ouvir ‘bocas’ sobre as ‘mamas de silicone’ de pessoas que não sabem que fiz. Mas não me incomoda nada!
C: Por último, que conselho tens a dar a outras mulheres que querem fazer cirurgia plástica?
PB: Pelas dúvidas que tenho lido no blog, acho que as mulheres devem ter em mente alguns pontos muito importantes:
- Não existem dois corpos iguais, pelo que cada caso é um caso. Os métodos, as próteses, a recuperação etc dependem do corpo de cada mulher
- Informem-se, leiam sobre o tema, falem com pessoas que já passaram por isso, peçam várias opiniões a vários cirugiões e exijam que este vos esclareçam TODAS as dúvidas. É um direito que têm, afinal, pagam-lhes para isso.
Quando decidirem avançar escolham bem o cirurgião. Não escolham apenas porque é famoso, pela clínica ou porque é o mais barato. É a vossa vida que está em causa e depois de feito, se correr mal, não há ‘undo’…
Muito obrigada pela disponibilidade, Purple Butterfly.
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